NAT estrito e CGNAT: como resolver de verdade (Claro, Vivo, NET)
Seu console acusa NAT estrito, você não entra no lobby dos amigos e o chat de voz vive caindo, e nenhum tutorial de “abra as portas do roteador” resolveu? Bem-vindo ao clube dos milhões de brasileiros atrás de CGNAT: o NAT que a operadora coloca entre você e a internet, onde nenhum ajuste de roteador chega. A boa notícia é que tem solução, e ela começa com um teste de 2 passos e termina com uma ligação de 10 minutos. Este guia mostra os dois, com o roteiro da ligação incluso.
Tipo de NAT afeta o ping?
Não, e essa é a verdade que metade dos tutoriais esconde. O tipo de NAT (aberto, moderado ou estrito, ou Tipo 1, 2 e 3 no PlayStation) decide com quem você conecta: matchmaking, entrar no grupo dos amigos, chat de voz e quem consegue hospedar a partida. Ele não adiciona um milissequndo sequer ao seu ping, não cria jitter e não derruba pacote. NAT estrito não deixa o jogo lento, deixa o jogo solitário. Então separe os sintomas: se o seu problema é lag de verdade (pico de ping, teleporte, tiro que não registra), meça a linha, o LagScope manda pacotes UDP de 128 bytes a 30 Hz, igual a um jogo, e pega lagspikes sustentados ≥500 ms, jitter e perda real (acima de ~1–2% de perda já se sente no jogo). Se o problema é “não consigo entrar no grupo do meu amigo” ou a voz caindo, aí sim é NAT, e é isso que este guia resolve. Para os ajustes gerais de rede em casa, veja nosso guia de otimização de roteador em português.
O que significam NAT aberto, moderado e estrito?
NAT é o tradutor que o roteador faz entre os endereços da sua casa e o seu único IP público na internet, e o “tipo” mede o quanto esse tradutor confia em tráfego que chega sem ser chamado. Em termos de jogador: NAT aberto significa que você conecta com todo mundo e ainda hospeda partida; moderado deixa quase tudo funcionar, mas hospedar falha às vezes e certos lobbies fecham a porta; estrito (o tipo “simétrico”, que traduz cada conexão para uma porta diferente e imprevisível) só conecta com quem tem NAT aberto, lobby e voz quebram na hora. E aqui está a parte que explica sua vida: estrito com estrito não se conecta. Se você e um amigo estão os dois em NAT estrito, não importa quem hospede, a conexão entre vocês simplesmente não existe. É por isso que “metade dos amigos não entra no grupo”. Os consoles exibem o tipo nas configurações de rede, e os erros clássicos (“NAT não disponível”, “falha no Teredo”) estão documentados no suporte do Xbox.
| Tipo de NAT | O que acontece no jogo |
|---|---|
| Aberto (Tipo 1 / cone aberto) | Tudo funciona. Conecta com qualquer tipo de NAT, hospeda partida, voz limpa. É o objetivo. |
| Moderado (Tipo 2) | Quase tudo funciona. Conecta com aberto e moderado; hospedar falha às vezes; alguns lobbies e vozes somem. |
| Estrito (Tipo 3 / simétrico) | Só conecta com NAT aberto. Grupos quebram, voz cai, matchmaking demora e hospedar é impossível. |
UPnP, redirecionamento de portas ou DMZ?
As três formas de abrir o NAT, em ordem de preguiça crescente e controle decrescente: UPnP é o automático, o console pede e o roteador abre as portas sozinho, sem você digitar nada. É a escolha certa para a maioria: ligue no painel do roteador, reinicie o console e confira o tipo de NAT de novo. O porém honesto: qualquer aparelho da sua rede (inclusive um comprometido) pode abrir portas sem pedir permissão, prático, mas folgado. Redirecionamento manual de portas é o caminho preciso: você abre exatamente as portas que o jogo usa, apontadas para o IP do console, exige a lista oficial de portas no suporte da publisher, e um IP fixo ou reserva DHCP para o console não mudar de endereço. DMZ joga TODO o tráfego de entrada que ninguém pediu para um único aparelho: funciona como último recurso para console (que quase não tem serviço exposto), mas nunca para PC, um PC na DMZ é um Windows de cara para a internet.
Como saber se estou em CGNAT?
A epidemia brasileira: Claro/NET, Vivo e boa parte dos provedores regionais de fibra colocam o assinante atrás de CGNAT, um segundo NAT, dentro da rede da operadora, que divide um único IP público entre dezenas de clientes. Detectar leva 2 passos e zero instalação. Passo 1: abra o painel do seu roteador e olhe o IP de WAN (ou “Internet”). Se ele estiver entre 100.64.0.0 e 100.127.255.255, a faixa 100.64.0.0/10, reservada justamente para CGNAT na RFC 6598, ou numa faixa privada (10.x.x.x, 172.16 a 172.31.x.x, 192.168.x.x), existe um NAT antes do seu roteador. Passo 2: compare com o IP que um site do tipo “qual meu IP” mostra. Se for diferente do IP de WAN, está confirmado: você está atrás do NAT da operadora.
Como sair do CGNAT: o roteiro da ligação
A solução real não está em nenhum menu, está em uma ligação. Você liga para a operadora e pede IP público / saída do CGNAT. Às vezes sai de graça na hora, às vezes cobram uma taxa pequena ou empurram um plano “IP fixo/gamer”, varia por operadora, por plano e, honestamente, por atendente. Duas dicas que mudam o resultado: peça IP público dinâmico, não IP fixo (dinâmico já resolve 100% do problema de NAT e costuma ser bem mais fácil de conseguir sem custo), e vá com o diagnóstico pronto, atendente respeita quem fala a língua dele. O roteiro:
- “Oi, tudo bem? Eu jogo online e o meu console está acusando NAT estrito, não consigo entrar no lobby dos meus amigos nem usar o chat de voz.”
- “Eu já verifiquei aqui: o IP de WAN do meu roteador está na faixa 100.64.x.x, ou seja, a minha conexão está atrás de CGNAT. Nenhuma configuração do meu lado resolve.”
- “Quero pedir a saída do CGNAT, ou seja, um IP público dinâmico. Não precisa ser IP fixo, o público dinâmico já resolve.”
- “Pode me passar o número de protocolo deste atendimento, por favor?” (Anote. Protocolo é o que transforma promessa em obrigação.)
- Se negarem ou só oferecerem plano caro: “Entendo. Vou registrar uma reclamação na Anatel com esse protocolo, então.”, com calma, sem grosseria. A Anatel existe exatamente para isso, e a menção costuma destravar o “não tem como”.
Observação honesta: nem toda operadora cobra. Provedores regionais de fibra, em particular, às vezes liberam o IP público na primeira ligação, equipe menor, menos script, mais gente. E há uma alternativa que dispensa ligação em alguns casos: IPv6. O IPv6 não usa NAT, cada aparelho ganha endereço público próprio, então NAT estrito simplesmente não existe nele. A maioria das grandes operadoras brasileiras já oferece IPv6; pergunte na mesma ligação. A ressalva: o jogo específico e os servidores dele precisam suportar IPv6, e muitos títulos de console ainda vivem em IPv4.
NAT duplo: quando o problema está em casa
Antes de culpar a operadora, confira um suspeito dentro da sua casa: o NAT duplo. Se você usa o modem/roteador da operadora e um roteador próprio ligado nele, existem dois NATs em série, mesmo sem CGNAT nenhum. O sintoma é idêntico ao NAT estrito: port forwarding configurado no seu roteador não chega a lugar nenhum, porque o modem da operadora barra antes. O diagnóstico é o mesmo teste do passo 1: se o IP de WAN do seu roteador for privado (192.168.x.x ou 10.x.x.x, mas fora da faixa 100.64.0.0/10), quem faz NAT antes de você é o modem da operadora, não a rede dela. As três saídas, da melhor para a mais preguiçosa: ative o modo bridge no modem da operadora (ele vira só modem e o seu roteador assume tudo), coloque o IP do seu roteador na DMZ do modem, ou simplesmente use um aparelho só. Resolvido o NAT duplo, UPnP e port forwarding voltam a funcionar.
Perguntas frequentes
Como abrir o NAT no COD/Warzone?
Em casa e sem CGNAT: ligue o UPnP no roteador e reinicie o console, na maioria dos casos o NAT abre sozinho. Se não abrir, faça redirecionamento manual das portas que a Activision publica na página de suporte dela, com IP fixo ou reserva DHCP para o console. Mas antes de tudo, confirme que você não está em CGNAT (IP de WAN na faixa 100.64.0.0/10): em CGNAT, nenhum ajuste de roteador abre o NAT, só a operadora, com IP público.
NAT estrito afeta o ping?
Não. O tipo de NAT decide com quem você conecta, matchmaking, lobby dos amigos, chat de voz, hospedar partida, e não adiciona um milissequndo sequer ao seu ping, jitter ou perda de pacotes. Se o jogo está lento, com picos e teleporte, o problema é a linha, não o NAT: meça com um teste que use tráfego de jogo de verdade (UDP a 30 Hz) e conte picos e perda.
A Claro cobra para sair do CGNAT?
Depende, as políticas variam por operadora, por plano e até por atendente, e mudam com o tempo. Relatos de jogadores vão de liberação gratuita na hora até taxa pequena ou a exigência de um plano com IP fixo. O truque é pedir IP público dinâmico (saída do CGNAT), não IP fixo: costuma ser mais fácil de conseguir de graça. Provedores regionais de fibra às vezes liberam na primeira ligação. Se negarem, peça o protocolo e registre reclamação na Anatel.
IPv6 resolve o NAT estrito?
Pode resolver, quando todas as pontas falam IPv6. O IPv6 não usa NAT: cada aparelho recebe um endereço público próprio, então o conceito de NAT estrito simplesmente não existe ali. A maioria das grandes operadoras brasileiras já oferece IPv6, ligue e pergunte. A ressalva: o jogo específico (e os servidores dele) precisa suportar IPv6, e a maioria dos títulos de console ainda vive em IPv4. Trate o IPv6 como alternativa, não como garantia.
UPnP é seguro?
Para a maioria dos jogadores, sim, é o preço da praticidade. O UPnP deixa qualquer aparelho da sua rede abrir portas no roteador sem pedir permissão, o que é ótimo para o console e menos ótimo quando um aparelho comprometido resolve fazer o mesmo. O risco real é baixo numa casa comum, mas se você quer o caminho mais estrito, prefira redirecionamento manual de portas com o UPnP desligado. O que ninguém deveria fazer é colocar um PC na DMZ.
Como sei se estou em CGNAT?
Dois passos. Primeiro, abra o painel do seu roteador e olhe o IP de WAN/Internet: se estiver entre 100.64.0.0 e 100.127.255.255 (a faixa 100.64.0.0/10, definida na RFC 6598) ou numa faixa privada (10.x, 172.16 a 172.31.x, 192.168.x), existe NAT antes do seu roteador. Segundo, compare com o IP que um site do tipo “qual meu IP” mostra: se for diferente do IP de WAN, está confirmado, você está atrás do NAT da operadora.